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Ouro e Bitcoin: metalurgia antiga versus tecnologia disruptiva


Ouro e Bitcoin: metalurgia antiga versus tecnologia disruptiva

Por Brickto Digital Solutions

O fascínio da humanidade pelo ouro é antigo. Talvez pelo seu destaque e beleza quando encontrado na natureza, ou pela sua raridade. Civilizações caíram e outras surgiram, e o ouro estava lá, participando, as vezes como protagonista, as vezes como coadjuvante. Junto com o cobre, são os únicos metais coloridos encontrados naturalmente.  

Um brilho dourado valioso

Nos primórdios da economia, através das trocas materiais diretas e indiretas, surgiu a necessidade de criação de uma mercadoria de troca facilmente aceita, a moeda de troca, que evoluiu para o dinheiro.

Para que algo seja funcional para ser utilizado como moeda, precisa ter algumas características:

  • Ser escasso;
  • Ser durável;
  • Ser transportável;
  • Ser divisível;
  • Ser fungível (homogêneo) – Pode ser substituído por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade;

Várias mercadorias foram usadas como dinheiro no passado.

Devido as características mencionadas acima é que metais preciosos se tornaram uma ótima escolha para representar um padrão monetário. Ouro, prata e bronze (que é uma liga de cobre), difundiram-se pelas civilizações ao longo da história, representando a riqueza e o poder material.

A demanda atual para o ouro são nos setores de jóias, tecnologia, investimentos e como reservas de bancos centrais, como podemos observar abaixo:

Além das notórias demandas do Ouro nos setores de joalheria e no mercado financeiro, vale destacar as suas importantes aplicações tecnológicas nos setores eletrônico e na fabricação de próteses dentárias.

Portanto, desde o início da civilização o ouro sempre acumulou importantes funções, justificando a sua valoração.

A Revolução de uma nova era

As transformações tecnológicas que começaram no final do século XVIII iniciando a Revolução Industrial mudaram os conceitos de fabricação, as relações de trabalho e a estrutura da sociedade. O mundo como se conhecia acabou, dando fim a Era Agrícola e iniciando uma nova era.

Na Era Agrícola o capital era a terra, e o acúmulo de riqueza estava nas melhorias de produtividade no cultivo.

Na Era Industrial a geração de riquezas baseava-se na produção industrial, agregando valor ao produto através de processos industriais.

A Era da Informação

O que define, conceitua uma nova era, é a importância de algo na civilização num certo período. Muitos especialistas afirmam estarmos na quarta Revolução Industrial, onde a informação toma um papel fundamental na indústria. Porém, o fato é que a informação é a protagonista do mundo atual, onde as Big Techs perduram como as maiores empresas, ao lado das gigantes corporações bancárias e financeiras, responsáveis pela ascensão da Era Industrial.

Os imponentes monumentos de concreto e aço foram ultrapassados por nuvens de informações.

A moeda invisível

Somando conhecimentos anteriores para viabilizar pagamentos digitais mais seguros com uma moeda deflacionária surge o bitcoin. A limitada emissão de moedas (suprimento máximo de 21 milhões de unidades) e a utilização de blocos em cadeia (Blockchain) para o registro das transações sem a necessidade de um servidor central, mostram a disruptiva tecnologia criada com a moeda. O bitcoin surge em 2008, impulsionado pelo sentimento de descrença no sistema financeiro tradicional causado pela Crise das Subprimes neste ano. A idéia era criar uma moeda que não dependesse de governos e bancos como intermediários, dando as pessoas o poder de cuidar do seu próprio dinheiro.

O bitcoin possui as seguintes características:

  • ESCASSO – Atualmente existem quase 19 milhões de unidades de bitcoin e mais moedas são emitidas (mineradas). Porém, a quantidade máxima programada é de 21 milhões de bitcoins. Não se pode mudar este fato. Ninguém poderá criar mais moedas quando este suprimento máximo for alcançado. Isto o torna escasso. A previsão de mineração do último bitcoin será no ano de 2140;
  • DEFLACIONÁRIO –  Mineradores são aqueles que empregam força computacional, na forma de energia e equipamentos, para validar as transações de bitcoin, e recebem bitcoins por isso, como recompensa pelo trabalho. Para controlar a inflação da moeda essa recompensa é reduzida pela metade a cada 4 anos, num evento conhecido como halving. Desde a sua criação em 2008 já ocorreram 3 halvings, o que significa dizer que hoje se recebe 1/8 da recompensa original pela mineração. Apenas 900 bitcoins podem ser minerados por dia no mundo todo. Resumindo: como a oferta de bitcoins aumenta diariamente, a sua recompensa é reduzida ao longo do tempo, evitando um processo inflacionário e criando uma deflação.
  • DESCENTRALIZADO – Cerca de US$ 25 bi são transacionados por dia em bitcoins. Existe um servidor central registrando tudo isto? A resposta é NÃO! Tudo é registrado de forma descentralizada e pública, através de um sistema de blocos em cadeia (blockchain), um livro razão, onde a validação das transações do bloco atual depende da validação do bloco anterior. Uma vez validado, o bloco e as transações ali contidas não podem mais ser alteradas, e podem ser facilmente verificados no site www.blockchain.com/explorer/ .

Metal contra as nuvens

Conforme vimos, vários objetos simbolizaram uma moeda, mas o ouro manteve-se valioso ao longo dos séculos devido a sua escassez e utilidade. De forma análoga, temos o bitcoin (BTC), programado para ser escasso e trazendo uma tecnologia disruptiva para esta era.

O bilionário Mark Cuban, dono do time de basquete Dallas Mavericks, e apresentador do Shark Tank, disse:

“As criptomoedas são bem-sucedidas quando são uma implementação mais produtiva de sua competição. BTC e ouro são religiões financeiras. O BTC é fácil de negociar / armazenar / criar, sem problemas de entrega. O BTC também permite a transferência de valor local e globalmente. O ouro é um aborrecimento.”

Michael Saylor, da MicroStrategy, também comparou o ouro com bitcoin:

“O ouro está em declínio desde o pico em agosto do ano passado (2022). Mesmo a queda caótica nos mercados globais de títulos em fevereiro e março deste ano não foi suficiente para valorizar o ativo.” Observadores em todo o mundo estão percebendo que #Bitcoin está substituindo o ouro.”

A beleza e raridade do ouro inspiraram avanços na tecnologia metalúrgica, o desenvolvimento e a riqueza de civilizações. O bitcoin inaugurou uma tecnologia disruptiva, um novo sistema financeiro com o mercado de criptomoedas. Não sabemos o que nos espera nos próximos séculos, mas uma coisa é certa: se algo for raro e tiver um brilho dourado, é ouro ou bitcoin.   

Fontes: LiveCoins, Gold.org, Nubank, CoinMarketCap, Bitcoin.Wiki, 101Blockchains, Cointelegraph


2 respostas para “Ouro e Bitcoin: metalurgia antiga versus tecnologia disruptiva”

  1. Avatar de Ferreira, César

    Excelente artigo, esclarecedor, com fontes e pesquisas claras.

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